Pílula do câncer' ainda gera milhares de ações judiciais no Brasil



Há pouco mais de dois anos, uma mensagem disseminada pelas redes sociais e nos celulares prometia a cura do câncer sem tratamentos dolorosos e onerosos. Rapidamente, o complicado nome fosfoetanolamina passou a fazer parte das rodas de conversa, dos discursos políticos e, principalmente, das decisões judiciais. Mesmo com as recomendações contrárias e testes científicos que indicam a ineficácia do produto, o tema ainda mobiliza milhares de pessoas. Somente de janeiro de 2017 ao último dia 15, 2.889 pacientes entraram com ações judiciais em São Paulo para obter a substância.

Por 20 anos, o professor aposentado Gilberto Orivaldo Chierice, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu a fosfoetanolamina sintética de forma independente. Em 2015, a notícia se espalhou e, de lá pra cá, a história é repleta de polêmicas (veja Linha do tempo abaixo). A mais recente virou caso de polícia. No início deste ano, a Polícia Civil de Porto Alegre deflagrou a Operação Placebo, que investiga a venda de fosfoetanolamina falsa por uma quadrilha para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, o bloqueio de 33 contas bancárias, a retenção de passaportes e apreensão de uma coleção de 27 carros de luxo.

A operação teve início a partir da denúncia de um dos ex-presidentes da Acolli do Brasil Humberto Silva de Lucca. Quando a substância se tornou conhecida, o empresário e mais nove sócios compraram parte da patente e fizeram parceria com o médico Renato Meneguelo e o biólogo Marcos Vinícius de Almeida — inicialmente da equipe da USP — para produzi-la e comercializá-la na forma de medicamento. Entretanto, os planos foram frustrados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou uma lei recém-aprovada, em maio de 2016.

“O processo começou em 2014, comprei os direitos, busquei investidores. Tivemos uma visão empreendedora da história e queríamos transformar o sonho das pessoas em realidade”, conta Humberto. Com o veto do STF, a solução foi transformar a fosfo em suplemento alimentar. O Laboratório Federico Dias foi montado no Uruguai para sintetizar a substância e uma parceria fechada com a Florida Suplement, em Miami (EUA), para fazer a mistura por meio da empresa Quality Medical Line. O primeiro lote do suplemento saiu em 14 de abril de 2017, com 10 mil unidades. Os potes com 90 cápsulas, a US$ 150 (cerca de R$ 480) cada um, esgotaram em 48h — 95% deles vendidos ao Brasil. ( Por: Correio Braziliense )

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