Internações por acidentes de trânsito crescem 725% em uma década em Pernambuco


Na última década, houve um crescimento de 33% na quantidade de internações de vítimas de acidentes de trânsito em todo o Brasil. O pior cenário foi registrado no Tocantins. Segundo o CFM, 20 pessoas dão entrada por dia em um hospital da rede pública brasileiro com ferimentos graves decorrentes de acidentes com transporte terrestre. Foram mais de 1,6 milhão de vítimas graves em dez anos. Essa realidade tem um impacto direto nos gastos com a saúde. O país gastou R$ 3 bilhões no Sistema único de Saúde (SUS) para tratar os feridos no período analisado. Foi o que informou o Diário de Pernambuco.

Pernambuco registrou, de acordo com o levantamento do CFM, em uma década 56,3 mil internações, o que significa uma média anual de 5,6 mil internados por acidentes de trânsito. Em decorrência direta disso, contabilizando somente o gasto federal, foram gastos quase R$ 65 milhões de reais. É o 10º estado que mais interna e o 11º que mais gasta com o problema. “Os acidentes de trânsito representam um dos principais problemas de saúde pública do país. São a segunda causa de morte não natural, só perdem para homicídios. Estamos perdendo vidas no asfalto”, explicou o diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) e membro da câmara técnica de medicina do Tráfego do CFM, Antônio Meira.

Seis em cada 10 vitimados graves do trânsito são pessoas 15 e 39 anos. A maioria, oito em cada dez, homens. “Não há como quantificar essas perdas, pois é uma faixa etária muito produtiva. A maioria dessas tragédias tem causas conhecidas e passíveis de prevenção, como o respeito às leis do trânsito. Se a gente tivesse investimentos maiores na prevenção, seria inclusive mais barato para o Estado. Uma vítima de trânsito é onerosa, pois sofre vários traumas e precisa de cirurgias de grande porte”, lembrou Antônio Meira.

Em Pernambuco de acordo com o CFM, entre 2008 e 2016, foram quase 17 mil mortes no trânsito. Cerca de seis mortes por dia, 2 mil por ano. Para o sociólogo consultor em segurança no trânsito Eduardo Biavati, os números podem ser ainda maiores. “O país ainda tem uma ineficiência em registrar e identificar os feridos e sobreviventes. Se o paciente não vai a óbito no local e fica internado, ele pode ter outras complicações de saúde e a morte não é informada como causada pelo acidente”, disse. Para ele, essa é uma das maiores tragédias humanitárias do século 21, com a diferença de que é um problema criado pela sociedade. “Houve avanços, a legislação que envolve álcool e trânsito, por exemplo, melhorou. Temos conseguido pensa com vários órgãos públicos conjuntamente no problema. Mas não é suficiente”, diz.


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