Fala de Marinho dá novos contornos à investigação de Bolsonaro no Supremo


Alex Tajra do UOL, em São Paulo*

O depoimento do empresário Paulo Marinho (PSDB), outrora aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus filhos, estabeleceu novos contornos à investigação que corre no STF (Supremo Tribunal Federal) e apura se o capitão reformado agiu para interferir na superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Marinho afirmou hoje, em entrevista à Folha, que Flávio Bolsonaro, de quem é suplente no Senado Federal, o procurou após o segundo turno das eleições presidenciais em 2018, e afirmou que teve conhecimento prévio sobre a Operação Furna da Onça, da Polícia Federal. A operação citada investigava a prática de "rachadinha" (quando funcionários do gabinete devolvem parte de seus salários) entre deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), incluindo Flávio, então deputado estadual no RJ.

O empresário teve relação íntima com a família Bolsonaro durante a campanha presidencial, chegando a ceder sua residência para uma espécie de 'quartel-general' de apoio ao então candidato. Em seu relato, Marinho afirma que Flávio disse que a PF segurou a deflagração da operação para depois das eleições, para não prejudicar a candidatura de Bolsonaro à presidência e dele ao Senado.

O filho do presidente teria afirmado também que foi informado que a investigação atingiria Fabrício Queiroz, funcionário de seu gabinete e que também trabalhou para o gabinete de Jair Bolsonaro quando este era deputado federal.

As falas de Marinho abrem um novo rol de informações no inquérito aberto no Supremo. Até então, o foco no lastro das acusações estava concentrado no ex-ministro Sergio Moro, que deixou o governo atacando o presidente. Moro, que também é investigado no mesmo inquérito aberto no STF, já prestou depoimento e chegou a afirmar que Bolsonaro teria dito, em uma reunião ministerial, que queria apenas uma das 27 superintendências da PF — que seria a do Rio.

As declarações de Marinho, após a repercussão de sua entrevista, podem endossar ou não o depoimento de Moro, e a Procuradoria-Geral da República já estuda convocar o empresário para prestar esclarecimentos.

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