Cerca de 90% das brasileiras já foram assediadas em centros urbanos, diz pesquisa


No Brasil, a pesquisa foi feita online no período entre 1º e 14 de novembro e ouviu 2.236 mulheres
No Brasil, a pesquisa foi feita online no período entre 1º e 14 de novembro e ouviu 2.236 mulheres
De acordo com a pesquisa da organização internacional ActionAid,87% das mulheres brasileiras sofreram assédio no último mês. Os dados, divulgados na última sexta-feira (25), dia internacional pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, apontam ainda que 16% da população feminina do País relataram ter sido assediadas antes dos 10 anos e 55%, com 18 anos ou menos.

Além das brasileiras, foram ouvidas tailandesas, indianas e britânicas. O Brasil é o que apresenta a maior incidência de assédio entre as mulheres e, também, entre aquelas que sofreram assédio antes dos 10 anos.

Para a pesquisa, foram considerados assédio os atos indesejados, ameaçadores e agressivos contra as mulheres, podendo configurar abuso verbal, físico, sexual ou emocional.

Para a assessora do Programa de Direito das Mulheres da ActionAid no Brasil, Jéssica Barbosa, é preocupante o alto índice de assédios a crianças no País, que revela uma propensão da sociedade brasileira à sexualização infantil.

“O patriarcado atua nesse processo de naturalização da violência contra a mulher e aí não estamos falando de homens loucos, de uma exceção, mas sim, do primo, do tio, do vizinho, de homens que foram ensinados a sexualizar essas crianças desde muito cedo. Inclusive os dados mostram que a maioria dos estupradores são conhecidos das vítimas”, destaca.

Balanço

A maioria (55%) das entrevistadas disse ter sido assediada nas ruas e 23%, no ambiente de trabalho. Os assovios (65%) foram as principais formas de assédio relatadas pelas entrevistadas, mas comentários de cunho sexual ocorreram com mais da metade das mulheres (52%), seguidos de insultos (38%), perseguição na rua (29%), exibições por parte de homens (29%) e ser tocada (20%).

Ainda segundo o estudo, 86% das brasileiras entrevistadas afirmaram tomar alguma providência para se proteger das abordagens indevidas. Dentre as medidas, estão: fazer um caminho diferente do usual (55%), evitar parques ou áreas mal iluminadas (52%), ligar ou enviar mensagem para alguém confirmando estar bem (48%), solicitar a companhia de outra pessoa (44%), evitar transporte público (17%) e desistir de ir a um evento social (18%).

A pesquisa foi feita online no período entre 1º e 14 de novembro e ouviu 2.236 mulheres (1.038 na Grã-Bretanha, 502 no Brasil, 496 na Tailândia e 200 na Índia). Os números foram ponderados e são representativos de todas as mulheres maiores de idade na Grã-Bretanha, todas as mulheres online na Tailândia e toda a população urbana feminina de Brasil e Índia.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil e ActionAid

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