Em nova carta, Lula reafirmará sua ‘candidatura’




Josias de Souza

Nesta quinta-feira, 7 de junho, dia em que sua prisão faz aniversário de dois meses, Lula redigiu, com o auxílio de um de seus advogados, uma nova carta. Nela, o preso reafirma sua pretensão de disputar a Presidência da República. A mensagem será lida nesta sexta-feira num ato partidário de lançamento da pré-candidatura de Lula, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

O ex-governador petista da Bahia Jaques Wagner esteve com Lula. Disse ter ouvido dele a afirmação de que só não disputará o Planalto em três hipóteses: “Se morrer, se apresentarem a prova de que cometeu crime ou se tiverem a desfaçatez de rasgar definitivamente a Constituição brasileira.”

Empunhando um megafone, Wagner disse aos militantes acampados nos arredores da superintendência curitibana da Polícia Federal: “Ele espera que Deus ilumine algumas cabeças do Judiciário, de tal forma que eles não caminhem contra a vontade popular.”

O governador petista do Piauí, Wellington Dias, que visitou Lula junto com Wagner, declarou: “Em 15 de agosto, vamos registrar o nome de Lula como candidato a presidente. E não é só um registro por registrar. Acreditamos que, com base na lei e na Constituição, o presidente Lula preserva os seus direitos políticos. Ele é elegível.”

Reza a Lei da Ficha Limpa que uma pessoa condenada em decisão colegiada do Judiciário torna-se inelegível. Lula virou ficha-suja quando o TRF-4, tribunal de segunda instância, confirmou sua condenação no caso do tríplex no Guarujá, fixando a pena em 12 anos e 1 mês de cadeia.

Nada impede que o PT solicite o registro da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral. Mas o pedido deve ser negado. Alheio ao risco, o petismo acorrenta seu projeto político à conveniência penal do grande líder. Até o mês passado, havia no partido quem defendesse o encaminhamento de um Plano B.

O próprio Jaques Wagner esboçava a defesa de uma aliança do PT com o presidenciável Ciro Gomes (PDT). Enquadrado por Lula, de quem foi ministro, Wagner aderiu ao coro majoritário: “Não existe plano A, B, C, Z ou Y. Apenas o plano L de Lula candidato e Lula presidente.”

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