Elba Ramalho com pique total no 38º disco


JOSÉ TELES

O Ouro do Pó da Estrada, novo trabalho de Elba Ramalho (Deck Disc), é um dos melhores de uma discografia que chega ao 38º título, ou seja, quase um álbum por ano de carreira. Lembra o LP de estreia, Ave de Prata, que completa 40 anos em 2019, pela qualidade quase impecável do repertório. O disco abre com uma força de arrastão, com Calcanhar (Yuri Queiroga e Manuca Bandini), lançada por Ylana Queiroga, cinco anos atrás. Uma daquelas músicas que se tocar no rádio inevitavelmente vira sucesso. A interpretação de Elba Ramalho assumidamente segue a de Ylana.

 Depois de Calcanhar entra O Girassol da Caverna (Lula Queiroga), dueto com Ney Matogrosso, loa de maracatu rural com sabor de rock and roll, também uma regravação. Este do injustiçado Baque Solto, que Lula Queiroga dividiu com Lenine em 1983. Um disco que inteiro tem um pique do baque que lhe dá nome, com produção assinada por dois Queiroga (uma família com ouvido musical que não é normal), Yuri e Tostão (este também baterista da banda de Elba), e soa feito uma continuação do álbum Do Meu Olhar Pra Fora, de 2105, também produzido por Yuri Queiroga, com o filho da cantora, o músico Luã Mattar.

 Não que se procure repetir sonoridades, ou climas, mas porque Elba Ramalho recorre a compositores de uma nova música nordestina, alguns já veteranos, como é o caso de Lula Queiroga, autor de O Ouro do Pó da Estrada, que batizou o disco. Não só batizou como lhe deu a direção. “Meu olho adora o ouro do pó da estrada... o trem da vida apitou chamando”. A inédita Oxente, é de Marcelo Jeneci, que tem raízes no Agreste pernambucano, e Chico Cesar, de Catolé do Rocha, no sertão paraibano. A confessional Na Areia, é de Juliano Holanda, autor de inspiração aguçada, talento que o Brasil começa a conhecer, com um arranjo que vai encorpando-se, aos poucos, entram cordas, e o acordeom de Marcelo Jeneci.

 Para se usar um termo bem da terra, o disco segue num “trupé” só. Girassol (Toni Garrido, Da Ghama, Lazão, Bino Farias e Pedro Luís) quase quebra o ritmo, é a música mais tocada da Cidade Negra, ou com Toni Garrido, o arranjo torna a canção menos óbvia, e Elba a interpreta mais como um xote, do que reggae, aproxima a Jamaica do Nordeste. Aliás, Luiz Gonzaga costumava dizer que o reggae era um xote metido a besta. Mas não se pense que a cantora só recarrega a nordestinidade com  a autores nordestinos. Uma das melhores faixas do álbum é do paulista André Abujamra, O Mundo, de 1995. Elba a interpreta com Lucy Alves, Maria Gadú e Roberta Sá. A informação ta no JC Online.


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