Antes apoiador, Lobão vê Bolsonaro como um desastre: "Governo vai ruir"


O músico Lobão se tornou nos últimos anos um dos influenciadores da direita e, principalmente via redes sociais, vocalizou seu apoio à eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. Agora, ele se diz desapontado com o desenrolar do governo, que define como um "desastre", e afirma que é "óbvio" que a atual gestão do país vai "ruir".

Em entrevista ao "Valor", o músico, que deixou de votar no PT após uma promessa não cumprida de Lula referente à educação, analisou o momento, criticando o modo de governar de Bolsonaro, cercado por seus filhos: "Eu tinha que optar por alguém e esse alguém foi o Bolsonaro. Mas ele mostrou que não tem a menor capacidade intelectual e emocional para poder gerir o Brasil. Isso está muito claro para mim e fico muito triste. É óbvio que o governo vai ruir."

"O que está sendo falado à boca pequena é que vai haver uma junção dos partidos do Centrão com os militares para colocarem lá [nos ministérios] mais militares e dar uma engessada no Bolsonaro. Há uma tendência natural de os insultados e ofendidos se unirem. Os parlamentares vão apoiar. Está todo mundo querendo um mínimo de ordem e autoridade, o que não tem no governo. O Bolsonaro definitivamente não tem nem voz, nem inteligência política para isso. Está longe de ser um estadista. Tá uma zona ingovernável", opinou o roqueiro.

Lobão não mediu críticas aos apoiadores de Olavo de Carvalho - de quem diz já ter lido quase todos os livros e com quem teve contato nos últimos anos. "Ninguém vai ficar com medo dessa meia dúzia de otários", afirmou ele, referindo-se aos seguidores do escritor e guru de Bolsonaro. Lobão chegou a perder de 4 a 5 mil seguidores no Twitter após críticas a Olavo. "É óbvio que o Olavo vai acabar com esse governo, porque ele é uma pessoa muito autodestrutiva. Olavo é um sociopata. Não tem empatia por ninguém. É um ególatra."

Sobre os filhos do presidente, também foi duro e disse que eles estão criando um "clima horroroso". "Tanto o Bolsonaro quanto os filhos dele estão crentes que vão intimidar o Congresso ou qualquer pessoa porque têm um poder popular, entre aspas, que eles não têm. Acham que essa efervescência do Twitter é suficiente para não só resguardá-los quanto para intimidar seus adversários. Isso é uma mentira. O Twitter não vai segurar a onda deles. Não vai. Ele não pode ficar reinando no Palácio do Planalto, onde todo mundo diz que o Bolsonaro anda de bermuda e camisa falsificada de futebol, achando que o Twitter é o Brasil."

Esses caras são malucos e não têm noção do que é cultura realmente. A cultura é dinâmica. Assim como Mao Tsé-Tung, que com a Revolução Cultural quis apagar a cultura chinesa, eles estão na antimatéria fazendo a mesma coisa, querendo ignorar tudo o que foi criado no século 20. Já foi, é patrimônio nosso. Temos que lidar e respeitar isso. Se quiser fazer, que faça melhor. Querer combater um erro com outro erro, ou com outro erro só que do outro lado, é uma imbecilidade atroz", Lobão, sobre cultura, em entrevista ao Valor.

Lobão afirma que o momento faz com que a direita corra risco de sofrer um duro golpe em sua reputação. "Essa facção sectária de fanáticos vai absorver toda a personalidade da direita -- a esquerda vai capitalizar isso -- e vai botar todo mundo no mesmo saco. E a gente vai virar todos ridículos por causa desses caras . (...) O PSOL, o Ciro Gomes, o Lula, se sair da prisão melhor ainda para eles. É pouco provável que a situação volte a se reeleger. Bom, resta saber se o governo vai sobreviver a este ano ainda. Não vejo como o governo vai se sustentar até o fim do ano. É um desastre o que está acontecendo, sem alarmismo",

Por fim, Lobão vê Bolsonaro, os filhos, Olavo e seus seguidores com uma "teimosia" que torna quase impossível uma mudança de rumo. E que, por isso, o fim pode estar próximo. "Se você fizer uma pesquisa de campo com os que votaram no Bolsonaro, 90% das pessoas estão decepcionadas. E não podia ser de outra maneira, porque isso está uma novela mexicana de quinta categoria, um melodrama horroroso e brega." Do Uol São Paulo.

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