Quase um terço dos jovens pernambucanos nem trabalha nem estuda


Com Agência Estado

Quase um terço dos jovens de Pernambuco com idades entre 15 e 29 anos não estuda nem trabalha. Significa que dos 2,18 milhões de pernambucanos nessa faixa etária (o Estado tem 9,2 milhões de habitantes), 29,9% não estavam ocupados nem estudando em 2018. O índice é maior que o registrado no Brasil, 23%, e na Região Nordeste, 29,4%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre educação, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Mas não chamem esses jovens de 'nem nem'”, pediu a pesquisadora Marina Águas, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento (Coren) do IBGE, responsável pela apresentação da pesquisa. “O fato de nem estarem estudando nem trabalhando não significa que sejam inúteis. Uma grande parte das mulheres, por exemplo, está ocupada com o trabalho doméstico, com o cuidado de idosos e crianças. Há questões de gênero importantes por trás dessa estatística”, destaca.

Entre os pernambucanos do sexo masculino e desse grupo etário, 24,2% não estudam e não possuem ocupação. Nas mulheres do Estado, também nessa faixa etária, 35,5% exibem a mesma condição. Nacionalmente, o percentual é de 17,6% e 28,4%, respectivamente. Mayara Dominique Soares, 19 anos, moradora de Águas Compridas, em Olinda, Grande Recife, está em busca de emprego. Parou de estudar na 5ª série do ensino fundamental. Com 16 anos, engravidou.

“Preciso trabalhar. Já deixei currículo em várias lojas e empresas mas está difícil conseguir uma vaga. Pretendo voltar para a escola no ano que vem”, afirma Mayara Dominique, mãe de um menino de 2 anos. Ana Aline Soares, 21, também integra esse grupo e com história parecida. Interrompeu a escola aos 15 anos, quando concluiu o ensino fundamental, porque engravidou.

Três anos depois, retomou a rotina de sala de aula. Terminou o ensino médio ano passado. “Pensei em fazer um curso técnico, mas não tenho como pagar. Moro com meus pais, irmãos e meu filho. Quero fazer faculdade, mas o foco agora é arrumar um emprego. Só meu pai trabalha”, relata Ana Aline.

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