Estudo estima valor socioambiental das reservas legais no Brasil: R$ 6 trilhões por ano


Os serviços ambientais prestados pela cobertura de vegetação nativa existente na Reserva Legal e em áreas não protegidas de propriedades privadas do Brasil são da ordem de R$ 6 trilhões. Esse é o valor atribuído aos benefícios econômicos — tais como captação de água doce e regulação climática — proporcionados por florestas e outros ecossistemas naturais, estimam pesquisadores da ABECO (Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação) e da Coalizão Ciência e Sociedade (grupo de cientistas que monitora questões socioambientais e políticas públicas no Brasil). Um estudo detalhando a estimativa foi publicado na última edição do periódico “Perspectives in Ecology and Conservation”.

O estudo destaca em especial o papel das Reservas Legais, áreas de proteção obrigatória em propriedades privadas. Motivados pelas ofensivas que essa regra fundiária vem sofrendo em projetos de leis recentes, os cientistas calcularam o tamanho de sua importância. Se a Reserva Legal acabar, uma área de vegetação nativa com o tamanho de Itália, Alemanha, França e Espanha somadas (167 milhões de hectares) perderá a proteção e poderá ser legalmente desmatada. Isso equivale a 29% de toda a vegetação nativa remanescente no país.

Somada à área onde o corte já é autorizado, a área desprotegida total ficaria do tamanho da Argentina inteira (270 milhões de hectares), ou 46% do Brasil. O desmate de um território dessa magnitude comprometeria os R$ 6 trilhões de serviços ambientais que essas áreas geram por ano. (Os serviços ambientais prestados pela Reserva Legal, apenas, são estimados em R$ 3,6 trilhões.)

Buscando construir um consenso sobre esse conhecimento no país, o estudo envolveu o trabalho de dez autores e é subscrito por 407 pesquisadores de 79 instituições acadêmicas brasileiras. “Nosso objetivo é subsidiar o poder legislativo do país com uma medida correta da importância das reservas legais”, afirma o biólogo Jean Paul Metzger, da Universidade de São Paulo, que coordenou o trabalho. “Existe muita desinformação se propagando sobre o tema, e consideramos fundamental que qualquer legislação sobre vegetação nativa do Brasil seja discutida com base científica sólida.” (Sul 21)

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