Como seria 2020 se as ruas não tivessem gritado contra cortes na Educação?

Pedro Prado/UOL

Daniel Cara* Especial para o UOL

Sem as mobilizações de rua no último ano, especialmente o #15M, 2020 seria um ano extremamente obscuro e estaríamos, agora, um passo atrás, reféns da política educacional conduzida por um ex-deputado inexpressivo que se tornou presidente.

Como foi que chegamos até aqui? Primeiro uma constatação.

O Brasil se tornou um país imprevisível. E essa imprevisibilidade poderia ter tido consequências ainda piores se as manifestações de 2019 não tivessem imposto alguns freios a retrocessos ainda maiores nas políticas educacionais

É preciso explicar os governos Temer e Bolsonaro por suas alianças. Temer presidiu o país graças ao apoio de forças ultraliberais e ultrarreacionárias, com predomínio político dos primeiros. É a mesma aliança que sustenta o atual governo, porém - no caso atual - a dominância política cabe ao ultrarreacionarismo.

E tanto ultraliberais quanto ultrarreacionários promovem ataques ao direito à educação. Os ultraliberais por não entenderem que é a economia que deve servir ao povo. E os últimos, por conduzirem uma guerra cultural.
Paulo Guedes e seus aliados não compreendem que não são as pessoas que devem servir à economia (é a economia que deve servir às pessoas).

Obedecem a uma lógica de pensamento econômico em que o Estado deve ser reduzido a qualquer custo, perdendo sua função estratégica e social. Não falam de educação, saúde, mais empregos, distribuição de renda ou de desenvolvimento econômico, que deve ser pautado na reindustrialização. Apenas se ocupam da dívida pública, das taxas de inflação e de outros indicadores de interesse do mercado financeiro — esfera em que são comercializados os títulos públicos do país.

Em poucas palavras, os ultraliberais se limitam a debater os problemas, sem apresentar soluções, em uma equação em que a maioria esmagadora das pessoas não importa. Diante disso, se não ambicionam retomar a agenda do desenvolvimento, como ensinou o saudoso Celso Furtado, estão ainda menos dispostos a investir os recursos necessários para saldar a dívida do Estado brasileiro com a educação de seu povo. Matéria completa no Uol.

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