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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Triunfo sedia lançamento de livros sobre cordel neste sábado (21/09)


O Casarão Padre Ibiapina, no Centro de Triunfo, vai receber neste sábado (21/09) o lançamento dos livros “O Mapa da Rima” e “O Cordel de Escrita Feminina em Pernambuco”, das escritoras e pesquisadoras Eulina Fraga e Shirley Rodrigues. O encontro será às 16h, com entrada gratuita, e contará com recitais, conversa com as autoras e cordelistas convidados.

Patrimônio Imaterial Cultural Brasileiro, a linguagem poética popular, que tem a rima como uma de suas principais características, sempre esteve presente na vida das escritoras, que se conheceram durante a graduação em 2005, quando decidiram desenvolver projetos com a temática. “Nesse tempo de atividade, percebemos a ausência de memória em nossa literatura que retratasse a trajetória do cordel, seus escritores pioneiros e também a presença feminina nesse universo”, conta Shirley.

Assim, nasceram as duas obras, que são editadas pela Coqueiros, única editora que trabalha com esse gênero literário e têm arte desenvolvida pelo cordelista Leonardo Farias. As narrativas, que trazem alguns versos e mesclam harmonicamente conteúdo e poesia, já foram apresentadas na Europa e integram o acervo de bibliotecas de Portugal, Espanha e França.

Durante um ano e oito meses, elas realizaram pesquisas quantitativas e qualitativas, imersões em acervos e aproximações e conversas com cordelistas em Pernambuco, no Rio de Janeiro, Ceará e Rio Grande do Norte que permitiram costurar as informações e criar um arranjo das narrativas. “É um trabalho pioneiro e necessário porque documenta quem somos e reconhece os principais nomes que deram origem a essa expressão”, comenta Eulina.

Em 84 páginas, “O Mapa da Rima” (R$ 20) resgata a história e as obras dos poetas pernambucanos que escrevem, ou seja, de bancada, como Silvino Piruá, criador do romance, e João Matias de Ataíde, um dos maiores tipógrafos brasileiros. No entanto, o mapeamento se volta, em especial, a Leandro Gomes de Barros. Foi ele quem identificou o potencial mercadológico do cordel e deu início à produção da arte impressa no formato já familiar da cultura nordestina.

A soberania masculina encontrada ainda no cordelismo é o mote do livro “O Cordel de Escrita Feminina em Pernambuco” (R$15), concebido a partir da inquietação das escritoras ao perceber a ausência das mulheres em encontros culturais. Na obra, de 40 páginas, elas descortinam a autoria dos cordéis de Maria das Neves Batista. Primeira cordelista brasileira, ela utilizava o nome de seu esposo – Altino Alagoano – para assinar suas criações. Sua primeira produção foi “Violino do diabo e o valor da honestidade”. Ao todo, são aproximadamente 13 mulheres que ganham o reconhecimento por suas obras e têm suas vidas apresentadas aos leitores.

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