sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Covid-19: Um a cada 10 pacientes graves tem anticorpos que facilitam ação do vírus

Dois estudos publicados na revista Science apontam que a severidade da covid-19 pode estar ligada ao comprometimento de genes produtores de interferon tipo 1 (IFN-1), grupo de 17 proteínas que regulam a atividade do sistema imunológico. Com base em uma extensa pesquisa genética, os autores concluíram que mais de 10% dos pacientes que desenvolvem a forma grave da doença têm autoanticorpos contra o IFN-1. Isso significa que o organismo dessas pessoas fabrica anticorpos que destroem o interferon tipo 1. Na presença do Sars-CoV-2, em vez de atacar o vírus, o corpo volta-se contra as proteínas protetoras.

Outros 3,5% dos pacientes graves carregam mutações genéticas específicas que diminuem a produção do IFNs-I ou induzem uma resposta inadequada a ele. De acordo com os autores, de diversas instituições de pesquisa, as descobertas ajudam a explicar por que algumas pessoas sem comorbidades desenvolvem uma doença muito mais severa do que outras da mesma faixa etária. Além disso, podem oferecer uma justificativa molecular de por que mais homens morrem de covid-19 do que mulheres, pois as variantes são mais comuns no sexo masculino.

Os dois artigos são fruto do consórcio global Covid Human Genetic Effort, que inclui cientistas de mais de 50 centros de sequenciamento genômico e é liderado por Helen Su, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid), e por Jean-Laurent Casanova, da Universidade Rockfeller. Desde o início da pandemia, estudos sugerem uma ligação dessas proteínas com as formas severas da doença, embora esse seja o primeiro a fazer uma investigação genética que comprova a associação. Doenças autoimunes, quando o organismo produz autoanticorpos, como lúpus e artrite reumatoide, são tratadas com interferons sintéticos, fabricados em laboratório. (Correio Braziliense)

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