sexta-feira, 2 de outubro de 2020

UFPE trabalha em vacina contra Covid com fungos similares aos usados para fazer pão e cerveja

Pesquisadores do Laboratório de Estudos Moleculares e Terapia Experimental (Lemte), vinculado ao Departamento de Genética da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), trabalham no desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus que usa leveduras similares às usadas na fabricação de pães e cervejas.


Com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a possível vacina pernambucana deve entrar na fase de testes pré-clínicos - aqueles feitos em animais - entre o fim do primeiro semestre e o início do segundo de 2021, com resultados por volta de setembro.

A técnica do Lemte é a mesma usada anteriormente para produzir uma vacina terapêutica para o câncer de colo de útero na UFPE. A plataforma biotecnológica do laboratório, criada com apoio do Programa de Pesquisa para o SUS, é utilizada para os trabalhos da estratégia vacinal contra a Covid. Segundo o líder do projeto, o professor doutor Antonio Carlos de Freitas, o imunizante não usa o próprio vírus vivo para produzir a vacina, o que é uma vantagem em relação à segurança.
 
“Nossa ideia é colocar a vacina dentro da levedura e esta levedura ser entregue no que vai ser injetado no indivíduo. A vantagem é que por ser uma levedura, tem a capacidade ir para células específicas da resposta imunológica, o que pode aumentar a eficiência da vacina”, explica o professor.

As informações genéticas contidas no genoma do Sars-CoV-2 serão utilizadas na produção. “Estamos trabalhando com duas estratégias vacinais específicas de DNA e RNA. Vamos isolar a informação que corresponde às proteínas que vão levar a produção de anticorpos e proteção do indivíduo”, acrescenta Antonio Freitas.

As estratégias de DNA e RNA já estão sendo pesquisadas ao redor do mundo, mas a maneira como a vacina vai ser disponibilizada, diz o professor, é diferente. “Pretendemos pegar a vacina de DNA ou RNA dentro de uma levedura, parente próxima à que usamos na panificação [fabricação de pães e cervejas], a Pichia pastoris”, completa. Por Fabio Nóbrega da Folha de Pernambuco.

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