quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Representante dos supermercados diz para brasileiro trocar arroz por macarrão

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Sanzovo Neto, afirmou nesta quarta-feira, 9, que deve ocorrer uma campanha para o brasileiro substituir o arroz pelo macarrão. Segundo ele, não há prazo para que o preço do produto seja reduzido para os consumidores.

“Vamos estar promovendo o consumo de massa, macarrão, que é o substituto do arroz. E vamos orientar o consumidor que não estoque (arroz)”, disse, depois de se reunir com o presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, para falar sobre a questão do aumento dos preços dos produtos da cesta básica nas gôndolas.

O preço dos alimentos foi destaque para a alta de 0,24% inflação oficial do país em agosto, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 9. Dois alimentos chamaram a atenção: o arroz, com valorização de 19,2% no ano, e o óleo de soja, que subiu 18,6% no período.

Em 2014, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, quando a carne era a vilã da inflação, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, sugeriu substituí-la por outros alimentos mais baratos, como ovos e aves.

Questionado sobre a fala de Bolsonaro nos últimos dias, que chegou a pedir “patriotismo” aos donos de supermercado e que trabalhem com lucro “próximo de zero”, Sanzovo Neto disse que explicou ao presidente que o setor “já está fazendo isso”. “Sempre fizemos isso nos produtos essenciais”, declarou a jornalistas.

O presidente da Abras foi informado de que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, notificou empresas e associações cooperativas ligadas à produção, distribuição e venda de alimentos da cesta básica para questionar a alta nos preços dos produtos. Ele indicou ter sido pego de surpresa pela informação. Todos terão cinco dias para responder aos questionamentos.

Após a reunião, Sanzovo Neto disse em entrevista que os mercados não são “os vilões” da inflação da cesta básica, e que o problema está ligado ao excesso de demanda, principalmente no exterior, e à falta de oferta. Na prática, isso significa que falta produto e, por isso, o preço aumenta.

“É a lei de mercado, é oferta e procura. Se você tem menos produtos sendo ofertados, e no caso foi exportado, muitos dos nossos produtos estão sendo exportados, o produtor prefere exportar porque o câmbio está alto e tem uma receita maior do seu produto…”, justificou.

Fonte: Estadão

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