BLOG DO IVONALDO FILHO

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Lula destaca políticas sociais e debate prioridades políticas: 'Por que não fizeram antes?'

📅 quinta-feira, 26 de março de 2026 | ✍️ Ivonaldo Filho
“Tentar fazer esse País ser diferente é o nosso desafio”. Com esta frase, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sintetizou a vontade de mudar a realidade de milhões de brasileiros com os programas e políticas públicas criadas ao longo de suas gestões na Presidência do País.

Lula citou iniciativas em áreas como saúde, educação e inclusão social, algumas até então inexistentes e questionou: "Por que não fizeram antes?". Lula discursou em meio a uma roda formada por servidores da Universidade Federal de São Carlos (SP) e do Hospital Universitário, ambos mantidos com investimentos do Governo do Brasil. O presidente esteve no local para inaugurar novas alas e equipamentos do hospital, na última quarta-feira (23).

Você não acha um absurdo um metalúrgico fazer mais universidades na história do Brasil do que todos os presidentes fizeram? Você não acha que é um absurdo um metalúrgico, sem diploma universitário, fazer quatro vezes mais institutos técnicos do que foi feito nesse País ao longo de todos os cinco séculos? Você não acha que precisou vir a gente para criar o Samu? Por que não criaram antes? Por que não fizeram as UPAs antes? Por que não fizeram o Farmácia Popular antes?"

O Samu foi criado em 2003 pelo Governo Federal para organizar o atendimento pré-hospitalar, baseando-se no modelo francês e, em 2004, foi instituída sua execução em estados e municípios, com acesso nacional pelo número telefônico 192.

Já o programa Farmácia Popular veio para ampliar o acesso a medicamentos essenciais para doenças como diabetes, hipertensão e asma. O programa foi iniciado em 2004 e, a partir de fevereiro de 2025, passou a disponibilizar gratuitamente 100% dos medicamentos e insumos de seu elenco à população brasileira.

“Nós criamos o Farmácia Popular para garantir que as pessoas que tomam remédio de forma continuada tenham esse remédio de graça para as principais doenças desse País. Obviamente que uma parte da elite brasileira vai dizer que isso é gasto. Por que está gastando dinheiro para dar remédio de graça? Esse vagabundo que compre. É assim que é esse País. E nós precisamos desfazer essa coisa da gente se confrontar sempre de que o mais pobre é pobre porque ele gosta.”, concluiu.

Dinheiro público para quem?

O presidente também citou os desafios para criar políticas de inclusão como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e a reserva de cotas raciais para afrodescendentes. Ele lembrou que enfrentou críticas para implementar o ProUni, criado em 2004 para oferecer bolsas de estudo em instituições particulares de educação superior para estudantes de baixa renda.

“Não foi fácil porque dentro da própria universidade tinha gente que falava ‘ah, o governo está gastando dinheiro ajudando a universidade privada, está privatizando a educação’. A gente não estava ajudando a universidade privada, a gente estava trocando uma dívida que elas tinham com o governo por bolsa de estudo para as pessoas da periferia desse País terem acesso à universidade”, disse.

Durante o discurso, feito de improviso, Lula defendeu que a contabilidade dos gastos públicos deve ser feita sob a ótica dos que mais precisam do apoio do Estado. E voltou a afirmar que os recursos destinados à saúde e à educação não devem entrar na rubrica de gastos, mas de investimentos.

O dinheiro que a gente arrecada tem que ser distribuído de forma justa, mas mais justa para aqueles que não têm nada, para aqueles que precisam levantar a cabeça, respirar e comer”, disse.

Pra essa gente, os pobres são tratados como se fossem invisíveis, pobre não existe para uma parte da elite brasileira, então, governar, para eles, é cuidar de uma pequena parcela da sociedade", argumentou ainda.

Ao longo dos demais dias da semana, Lula discorreu, em outros discursos, à defesa da aplicação do orçamento para sustentar políticas públicas que diminuem as diferenças sociais e promovam distribuição de renda.