No mesmo dia, Raquel Lyra e João Campos realizam ações de combate à violência contra a mulher
Prováveis adversários na disputa pelo governo de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), realizaram nesta terça-feira (31) ações de combate à violência contra as mulheres e contra o feminicídio.
Durante a manhã, a governadora lançou o Programa 197 Mulher, plataforma virtual que amplia e facilita o acesso das mulheres aos serviços da polícia, e entregou a requalificação da 1ª Delegacia da Mulher, no Centro do Recife. À tarde, Campos, que já anunciou a pré-candidatura na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas, entregou o novo SER Clarice Lispector Zona Norte, unidade voltada para ampliar o atendimento a mulheres em situação de violência.
Durante a entrega da requalificação da delegacia, a governadora ressaltou que as políticas de atenção e cuidado com a mulher devem começar desde cedo.
“Não é só uma estratégia. A gente precisa cuidar da mulher desde o seu primeiro momento, com empoderamento, garantia de casa nova, núcleos de estudo de gênero dentro das escolas, apoio em outros municípios e a rede de abrigamento. Além disso, com repressão qualificada para aqueles homens que ainda ousam praticar crime contra mulher”, declarou.
Já João Campos destacou que os episódios de violência contra a mulher não podem ser normalizados e que todos têm que fazer a sua parte.
“A gente não pode achar que isso que está acontecendo é normal, porque não é. Isso não pode ser normalizado, banalizado. A gente tem que ficar indignado, e mais do que isso, a gente tem que agir, cada um na sua posição. Seja quem presencia algo, quem sabe de algo até quem cuida de uma cidade, de uma secretaria. A gente não pode lavar as mãos diante disso”, afirmou.
Para a cientista política Priscila Lapa, apesar dos gestores estarem promovendo ações de combate à violência contra a mulher, o efeito prático das medidas ainda está longe do esperado.
“Por mais que as duas gestões, a municipal e a estadual, estejam fazendo essas ações, a gente ainda tem de forma muito mais sistêmica a persistência do problema. Então o que a gente pode dizer é que precisaria de um esforço ainda muito mais orquestrado, de maior convergência entre o municipal, com o ente estadual e o nacional. A gente precisaria ampliar, por exemplo, o orçamento destinado às políticas de segurança nesse aspecto”, explicou.
Cobrança
Segundo dados do relatório da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, Pernambuco registrou 8.103 casos de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. No mesmo período, também foram contabilizados 18 casos de feminicídio no estado. Para Priscila, o número alarmante reforça ainda mais a cobrança da sociedade por ações imediatas e futuras propostas para combater o problema. Por Alex Fonseca e Yuri Costa/Folha de Pernambuco.