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Mais de 33 milhões não votaram no 1º turno; abstenção é a maior desde 1998
Mais de 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (4). A abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, o maior percentual registrado em um primeiro turno de eleição geral desde 1998, quando 21,49% dos eleitores aptos deixaram de votar. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O número de ausentes superou em cerca de 700 mil o registrado no primeiro turno de 2022, quando 32,7 milhões de brasileiros deixaram de votar. Em termos proporcionais, a abstenção passou de 20,95% para 21,08%, mantendo uma trajetória de alta observada nas últimas eleições gerais.
Analisando as últimas quatro eleições gerais, o índice de abstenções tem crescido, conforme apontam dados do TSE: 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022. Em comparação com o último pleito, foram cerca de 700 mil ausências a mais.
Para o cientista político Hely Ferreira, a alta abstenção reflete um desgaste do eleitor brasileiro com o cenário político atual. "Muitos eleitores estão cansados com essa polarização, eles queriam uma nova alternativa, mas uma alternativa que tivesse real chance de vitória", avalia o especialista.
Ele destaca que a falta de competitividade dos candidatos da chamada "terceira via" levou o eleitor insatisfeito a simplesmente se esquivar da participação.
O especialista pontua também que eleições nacionais tendem naturalmente a ter uma maior abstenção em relação aos pleitos municipais. Segundo ele, o cenário municipal engaja mais porque o eleitor conhece os candidatos a prefeito e vereadores, enquanto a eleição nacional acaba dispersando esse interesse.
O desafio do 2º turno
Com o alto número de abstenções, o grande desafio para as campanhas presidenciais no segundo turno será convencer o eleitor a sair de casa. Vale lembrar que quem não votou no primeiro turno não precisa ter justificado a ausência previamente para poder votar no segundo, já que as etapas são tratadas de forma independente pela Justiça Eleitoral.
Apesar disso, a resolução prévia das eleições locais em alguns estados tem um peso diferente para quem não votou. "Os deputados que mobilizam os eleitores já estão eleitos. Os prefeitos, com os seus respectivos deputados e a governadora", explica Ferreira.
Sem o peso dessa máquina local operando nas ruas, a responsabilidade de mobilização recairá inteiramente sobre os candidatos à presidência. Para reverter esse quadro e vencer as taxas de rejeição e abstenção – que, segundo Ferreira, decidirão a eleição –, as campanhas precisarão focar no convencimento emocional. A informação é do Diário de Pernambuco.
